Olá, você. Esse artigo será mais político do que jurídico, mas acho que mereço depois de tantos artigos jurídicos. Irei falar sobre as famílias políticas que temos no Brasil, que concentram poderes dos mais diversos tipos. Essa é uma herança histórica que eu não quero enterrar num Pet Sematary*.
Muita gente fala em esforço, em trabalho, em mérito, mas pouco se fala de heranças. Aqui tratarei especificamente da herança política. Você sabia que existem famílias políticas que remontam à época da colonização? Pois é, clique aqui se quiser ler sobre. A família Sarney está aí para nos provar isso.
De acordo com nossa ilustre Constituição Federal:
“Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade (...)”
Mas será mesmo? Será que temos as mesmas chances que alguém da família Neves? Eu acho que não. As exceções nessas famílias provavelmente são isso: exceções. Enquanto a regra no Brasil já sabemos qual é. Nas palavras do cientista político Michel Zaidan:
"É como Gilberto Freyre aborda em sua obra: a família patriarcal é a dominação primeira do Brasil e se pode perceber a sobrevivência desse grande patrimonialismo até hoje na política brasileira"
Num estudo de 2014, pela ONG Transparência Brasil, quase metade (47%) dos parlamentares que tinham começado a última legislatura possuíam parentes na política. Leia aqui.
Talvez alguém diga “vocação”. Será mesmo? Será que se pode considerar que todos (as) na verdade não ingressaram na política pelo:
- Excelente retorno financeiro;
- Networking;
- Poder político;
- Oportunidade comerciais e negociais;
- Visibilidade
- Poder intelectual
Acho que todo mundo quer ter essas vocações (com as devidas exceções).
Para o professor de direito público Fabrício Tomio, em matéria do r7:
“Não é uma relação pessoal com o eleitor. Se a mídia é pouco plural e é controlada por grupos políticos, favorece os grupos familiares e agregados quanto ao uso do próprio Estado como mecanismo de ampliação de patrimônio e renda”
Eu acho que o professor está certo, isto para não citar o nepotismo. Deem uma olhada nessa matéria do Globo.
- Mas por que quando depende de nós continuamos a votar na velha política?
Um adendo importante para espantar a hipocrisia: será que também não nos aproveitamos de facilidades já traçadas pela nossa família? O que isso diz sobre nós?
Mais importante: se sabemos que as facilidades atraem, por que não tornamos a classe política um exemplo para nós mesmo e paramos de votar nas mesmas oligarquias? Ao menos deveríamos olhar novas caras, novas ideias, novas siglas… Elas existem! E se você, mesmo estudando outras opções, execrar completamente todas as possibilidades, por que não tomar coragem para votar nulo?
Óbvio que para pessoas que não tiveram acesso a uma boa educação esse questionamento é injusto. Mas e você que teve?
Fontes/referências/indicações: